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Cassação da chapa Lula-Alckimin tem aceitação e prosseguimento no TSE

Por Eliel Diniz ·
Cassação da chapa Lula-Alckimin tem aceitação e prosseguimento no TSE
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O Ministro Antonio Carlos Ferreira, corregedor do TSE, determina que presidente e vice apresentem defesa em cinco dias; ação questiona desfile da Acadêmicos de Niterói e suposto uso de recursos públicos em homenagem a Lula.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prosseguimento à Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo Partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A decisão é do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, e coloca o caso oficialmente na fase de apuração.

A ação protocolada pelo Partido Novo pede a cassação dos registros de candidatura de Lula e Alckmin e a declaração de inelegibilidade de ambos por oito anos. O partido sustenta que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no Carnaval de 2026, teria caracterizado abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Carnaval 2026: Acadêmicos de Niterói faz homenagem a Lula - 17/09/2025 -  Carnaval - F5

O que está em discussão

O enredo da Acadêmicos de Niterói homenageou a trajetória política de Lula. A escola desfilou na Marquês de Sapucaí, em 15 de fevereiro, com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

Na ação, o Novo argumenta que a homenagem teve ampla exposição nacional e que o desfile contou com recursos públicos estimados pelo partido em R$ 9,65 milhões, provenientes de diferentes órgãos e administrações públicas.

A legenda afirma que a combinação entre financiamento público, exposição televisiva e associação direta da imagem de Lula poderia ter produzido vantagem eleitoral indevida.

Lula e Alckmin terão cinco dias para se defender

Com a decisão de Antonio Carlos Ferreira, Lula e Alckmin deverão ser citados para apresentar defesa no prazo de cinco dias. A admissibilidade da ação, entretanto, não significa que o TSE tenha reconhecido a existência de abuso eleitoral ou que a chapa tenha sido condenada.

O despacho representa o prosseguimento do processo e permitirá que as acusações sejam examinadas com produção e análise de provas.

Novo quer cassação e inelegibilidade

O Partido Novo pretende que, ao final do processo, sejam cassados os registros ou diplomas de Lula e Alckmin e que ambos sejam declarados inelegíveis por oito anos.

A legenda também sustenta que o desfile teria proporcionado exposição desproporcional a Lula antes do período eleitoral, especialmente porque a apresentação foi transmitida por televisão aberta e permaneceu disponível em plataformas digitais.

Caso pode ganhar peso na eleição de 2026

A decisão acrescenta um novo componente jurídico à disputa presidencial de 2026. Caso as acusações avancem e eventualmente sejam consideradas procedentes pelo TSE, as consequências poderão atingir diretamente a situação eleitoral da chapa.

Por enquanto, porém, não há cassação. O processo está em fase inicial e ainda será necessário ouvir os acusados, analisar documentos e produzir as provas consideradas necessárias pela Justiça Eleitoral.

O episódio também recupera uma discussão que já havia chegado ao TSE antes do Carnaval. Na ocasião, a Corte rejeitou um pedido para impedir previamente o desfile, entendendo que não era possível reconhecer antecipadamente eventual abuso antes da realização do evento.

Recursos públicos no centro da controvérsia

Segundo os valores apresentados pelo Novo, os R$ 9,65 milhões questionados na ação teriam origem em repasses da Prefeitura de Niterói, Prefeitura do Rio de Janeiro, Governo do Estado do Rio e Embratur.

O partido afirma que parte desses recursos foi formalizada depois do anúncio do enredo, argumento que, na avaliação da legenda, reforçaria a necessidade de investigação sobre eventual finalidade eleitoral.

Agora, a palavra está com Lula e Alckmin. A defesa deverá responder às acusações e, a partir daí, o processo seguirá seu curso no TSE. O desfecho poderá se tornar um dos capítulos jurídicos relevantes da eleição presidencial deste ano.

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